Ulisses Tavares » Concurso: Resultado (Maio 2012)

Concurso: Resultado (Maio 2012)

Dilaceradora dor

Ao silêncio teu retribuo calada.
Pois para ti, melhor se faz assim.
À minha queda, presente teu, me jogaste a pedra:
– o silêncio teu.
À erguer-me do chão em que me lançaste, até a mão me negaste.
Contei com o silêncio teu.
Nas relações, tão primária,
Pedra bruta, cálida, calcária,
Te fiz de todos, o mais belo e amado.
Na arrebentação me tomaste por execrável, me tornaste solitária.
Ao meu amor retribuíste com ausência e dissabor.
Ao final,
Decidiste que já não me querias e partiste.
Sem sequer saber da minha dor.
Dilaceradora dor que dói de doer, dor.
E ainda me mutilas acusando-me do rancor.
Que, a despeito do trato teu, eu não cultivei.
Tão somente porque diverso de tu, não joguei,
Apenas amei.

Fernanda Hanna

 

São Paulo, 05 de agosto de 2005.
Outra noite se vai invadida pelos sons da madrugada.
Sinto frio, n’alma…

Escrito inspirado na dor sentida das ‘palavras-poesias’ de Florbela Espanca.