Barcelona banirá Airbnb até 2028 para frear crise imobiliária

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22 abr 2026

Barcelona banirá Airbnb até 2028 para frear crise imobiliária

A cidade de Barcelona decidiu que a prioridade agora são os moradores, não os turistas. O prefeito Jaume Collboni anunciou a proibição permanente de aluguéis de curta duração, como os oferecidos pelo Airbnb, em uma medida drástica que deve eliminar todas as licenças desse tipo até novembro de 2028. A ideia é simples, mas ambiciosa: tirar cerca de 10 mil apartamentos do mercado turístico e devolvê-los para as famílias que não conseguiam mais pagar o aluguel no centro da cidade.

Aqui está o ponto central da estratégia: a prefeitura não vai cancelar as licenças do dia para a noite. Como as autorizações atuais têm validade de cinco anos, elas expirarão progressivamente. Ou seja, a cidade está preparando um "terreno” para que, em menos de quatro anos, a oferta de moradias para residentes permanentes cresça significativamente, combatendo a inflação imobiliária que expulsou gerações inteiras do núcleo urbano.

O impacto real no bolso do barcelonês

A notícia não ficou apenas no papel. Curiosamente, o mercado reagiu antes mesmo da implementação total. Desde que o anúncio foi feito, Barcelona registrou uma queda de aproximadamente 9% nos preços médios de aluguel. É um número expressivo que mostra como a simples expectativa de maior oferta de imóveis pode acalmar a especulação imobiliária.

Além da queda nos preços, observou-se um aumento na permanência dos residentes. Sabe aquele fenômeno de bairros que viram "hotéis a céu aberto", onde você não encontra mais uma padaria local porque tudo virou loja de souvenir ou Airbnb? Pois bem, a medida visa reverter isso. Ao remover 10.000 unidades de temporada, a cidade espera recuperar a alma de seus bairros.

Um efeito dominó global: O exemplo de Nova York

Barcelona não está jogando esse jogo sozinha. A cidade segue a trilha de Nova York, que desde 2023 aperta o cerco com a Local Law 18 (LL18). Na "Big Apple", a regra é rigorosa: para alugar por menos de 30 dias, o anfitrião precisa morar no imóvel e ter no máximo dois hóspedes. Qualquer coisa fora disso é ilegal.

A briga judicial em Nova York foi feia. O Airbnb tentou derrubar a lei nos tribunais, mas perdeu. O prefeito Eric Adams foi enfático ao afirmar que operadores ilegais prejudicam a indústria hoteleira e dificultam a vida dos nova-iorquinos na busca por moradia acessível. Por outro lado, Nathan Rotman, líder de políticas do Airbnb na região nordeste dos EUA, argumentou que isso encarece a viagem para os turistas, já que os hotéis acabam cobrando mais caro com a menor oferta de alternativas.

A comparação é clara: tanto na Europa quanto na América do Norte, o conflito entre a "economia compartilhada" e o direito à moradia urbana atingiu um ponto de ruptura. O que antes era visto como uma inovação tecnológica agora é encarado por prefeituras como um catalisador de gentrificação.

Novas regras do Airbnb: O fim das festas

Enquanto luta contra as prefeituras, a plataforma Airbnb está tentando limpar sua imagem com os vizinhos. A empresa tornou permanente a proibição de festas e eventos em suas acomodações, algo que começou como uma medida temporária durante a pandemia de COVID-19 em agosto de 2020.

Os números mostram que a medida funcionou para a empresa: houve uma redução de 44% nos relatos de perturbação sonora e bagunças. Para evitar que as casas virem "clubes noturnos", a plataforma implementou medidas severas:

  • Linha de ajuda urgente para denúncias de festas.
  • Canais de suporte específicos para vizinhos incomodados.
  • Suspensão imediata de contas que violem a regra (mais de 6.600 hóspedes foram banidos em 2021).

Um detalhe interessante é que a empresa removeu o limite de 16 pessoas por imóvel, atendendo a pedidos de anfitriões com casas grandes, mas deixou claro que "capacidade de acomodar" é diferente de "permissão para fazer festa".

O que esperar para os próximos anos

O que esperar para os próximos anos

A transição em Barcelona será lenta, mas irreversível. Até novembro de 2028, a paisagem urbana da capital catalã deve mudar. O grande desafio será monitorar se esses 10.000 apartamentos realmente voltarão para o mercado de aluguel longo ou se serão convertidos em outras modalidades de luxo.

Especialistas em urbanismo sugerem que esse movimento pode inspirar outras capitais europeias, como Paris ou Lisboa, que enfrentam crises habitacionais semelhantes. A mensagem enviada por Jaume Collboni é direta: o turismo é bem-vindo, mas não ao custo da expulsão dos cidadãos de suas próprias casas.

Perguntas Frequentes

Quando termina oficialmente o Airbnb em Barcelona?

A eliminação total das licenças de aluguel de curta duração ocorrerá até novembro de 2028. O processo é gradual, pois a prefeitura não cancelará as licenças atuais, mas simplesmente não as renovará quando expirarem (o que acontece a cada cinco anos).

Quantos imóveis serão afetados por essa medida?

A estimativa é que aproximadamente 10.000 apartamentos, que hoje funcionam exclusivamente como acomodações turísticas via plataformas digitais, deixem de operar nesse formato e voltem para o mercado residencial.

A medida já surtiu algum efeito nos preços dos aluguéis?

Sim. Mesmo antes da implementação total, a cidade registrou uma queda de cerca de 9% nos preços médios de aluguel após o anúncio, indicando que a expectativa de maior oferta de imóveis já está impactando o mercado.

Como funciona a proibição de festas do Airbnb?

A proibição é global e permanente. Hóspedes que organizarem festas ou eventos podem ter suas contas suspensas ou ser banidos definitivamente da plataforma. A medida visa reduzir conflitos com vizinhos e aumentar a segurança dos anfitriões.

Thayane Almeida
Thayane Almeida

Sou especialista em notícias e gosto de escrever sobre os acontecimentos diários no Brasil. Minha paixão é informar e engajar o público com as últimas novidades. Trabalho como jornalista há mais de 20 anos e adoro o dinamismo da minha profissão.

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