Ajuda aí, Datena!

Ajuda aí, Datena!

Quem nunca assistiu o programa Brasil Urgente, sensacionalista como convém a uma atração televisiva policial, levante a mão. Você, exceção ou mentiroso, pode abaixar o braço para não ficar com câimbra.
O programa bate recordes de audiência e seu apresentador, Datena, faz muito bem o papel de justiceiro virtual de um Brasil real e impotente diante da injustiça.
Mas quem não acompanha o Datenão, grande, carismático e “gente como a gente”, também não precisa.
O que aparece na telinha é apenas a ponta de um iceberg sanguinolento que flutua no mar de lama do país.
Todos os dramas e mazelas que ele mostra diariamente na telinha, são apenas retratos bem editados da terrível insegurança pública.
Basta abrir a porta, ou nem isso, para se candidatar a virar notícia do Datena.
É torcer, e rezar, para não acontecer.
Não há como fugir da violência num País que até prende mas solta rapidinho bandidos de todos os tipo, classes e idade.
E o que tem tudo isso a ver com nós, os defensores de animais?
Simples: invariavelmente, as vítimas entrevistadas, ou seus familiares, classificam seus algozes e atacantes como animais.
E o Datenão também, na falta do adjetivo correto, chama de animais os bípedes humanos que batem e roubam e matam.
Ora, animais não merecem ser comparados a predadores humanos.
Isso só reforça o senso comum, e preconceituoso, de que nós somos superiores a tal ponto que, quando nos comportamos com selvageria com nossos semelhantes, nos “rebaixamos” a condição de bichos.
Puxa vida, isso que é, para usar outra expressão super utilizada, coisa de mundo cão.
Todos nós, aqui da Anda e dos grupos protetores de animais, sabemos que aquilo que bípedes humanos fazem com seus iguais biológicos, fazem em dobro com os seres sencientes de quatro patas ou que rastejam ou que voam.
E também impunemente.
Violência humana não tem paralelo, nem na linguagem, na natureza.
Bicho não mata sem fome.
Bicho não agride se não for para se defender.
Bicho não é gente. Ainda bem.
Os personagens de Datena são monstros, canalhas, bárbaros, etc. Menos animais.
Pelo que sei, Datena adora cachorros, lê muito e valoriza a cidadania, é sangue bom, enfim.
Bem que poderia usar sua influencia para colocar o rótulo certo nos calhordas escrachados em seu programa.
E, se possível, destacar as atrocidades que os inocentes e desprotegidos (e, além de tudo, difamados pela mídia e pela população!) bichinhos sofrem.
Os que não podem falar e reclamar, nossos irmãos de pelos, escamas e penas, mais sofridos que nós nesta terra de ninguém, agradecem.
Ajuda aí, Datena!

Ulisses Tavares não acha que humano e animal é igual. Humano é muito pior. Coisas de poeta.

Mais artigos de Defesa Animal na Coluna Ulissescão no site da ANDA – Agências de Notícias de Direitos Animais.

One Response

  1. Ulisses Borges Says:
    não gosto de palavra mascarada
    frase feita
    falso nacarado
    fora de hora
    sobre a língua colocado
    prefiro as conchas
    no fundo do mar
    e o silêncio
    do meu cachorro
    ou quando late
    com nexo
    pérolas de verdade.

    (Deus, perdoai os Datenas!)

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