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Mar 5

Feb 21

Meu cachorro me sorriu latindo. Literalmente 

Na história da música popular brasileira, nenhum outro fez tantas músicas sobre ecologia e animais como o rei Roberto Carlos. Isso bem antes, muito antes, da consciência ambiental e da defesa dos animais virarem assuntos na realidade midiática virtual e real.
Em um de seus versos mais memoráveis, ele cantava (em 1974 até eu era jovem e cabeludo naquele século passado, rs): “Meu cachorro me sorriu latindo…”
O compositor já anunciava o que todo mundo que convive com cachorros também já sabia:
Cachorro sorri, latindo. Pede para passear, latindo. Convida para brincar, latindo. Avisa que está com fome, latindo. Revela seus desagrados e dores, latindo.
E, do início ao fim da relação íntima e diária, cada bípede humano aprende a diferenciar os diferentes timbres e significados dos latidos de seu cão.
Então, que nossos peludinhos falam latindo não é novidade.
A grande revelação é a ciência (leia-se: biólogos e quejandos) finalmente reconhecer que nem o rei nem nós, cachorreiros, estávamos imaginando ou exagerando a realidade da comunicação canina.
Cachorros falam latindo e latem falando, de verdade, claramente, em alto e bom som.
O que as pesquisas científicas recentes trouxeram à tona, também, foi um fato que muita gente ignora: os cães aprenderam a latir única e exclusivamente para se comunicar com os animais humanos, essa espécie que os acolheu, cuidou e alimentou nos últimos 15 mil anos.
É surpreendente e delicioso lembrar que os peludinhos não aprenderam a latir para os outros irmãos peludinhos. Mas sim para serem compreendidos por nós, os peladinhos.
A linguagem que um cão usa com seus pares não é o latido.
Usa a postura, o olfato, o movimento corporal etc.
Não existe outra espécie que tenha desenvolvido uma linguagem específica para nos contar como se sente e o que deseja.
Uma cabra entende o balido de outra. Um boi entende o mugido de outro. Um pássaro entende o canto do outro. Um macaco entende o grunhido do outro. Até o tetravô dos cães domésticos, o lobo, entende o uivo do outro.
Mas um cão não entende o latido de outro cão. Quando seu cachorro late para outro cachorro é apenas para avisar você sobre o intruso no pedaço.
E a comunicação entre cachorros e humanos é tão aprimorada que só aqueles são capazes de interpretar os olhares e gestos deste.
Se você olhar ou apontar para um lugar onde está escondido o petisco de seu cão, ele vai direto para lá. Não precisa de treinamento algum. Faz parte de suas habilidades inatas.
Nem nossos queridos primos, os chimpanzés, conseguem esse tipo de proeza.
E um simples vira-lata se mostra capaz de atribuir significado, portanto, compreender, até 165 das palavras que pronunciamos.
É bastante vocabulário se levarmos em conta (isso também é estudo científico disponível nos googles da vida) que o adolescente de hoje utiliza apenas 350 palavras em seu dia a dia.
Por isso da próxima vez que seu amiguinho canino latir, preste mais atenção. É com você mesmo que ele está falando. 

Ulisses Tavares adora bater papo com um cachorro. Coisas de poeta.

Feb 13


TAVARES, Ulisses.  O Vizinho. Formadores do Saber.  Fundação Santo André. Santo André: 2012. pg. 19

Jan 28

Santa Maria

Choram as autoridades

Lágrimas de crocodilo

Esses competentes

Apenas nas maldades,

Uns trambolhos.

Já os parentes das vítimas

Não apenas choram.

Vertem sangue pelos olhos.

Oct 25

Oct 22

A FLAP ocorre de 3 a 6 de novembro em Macapá, a feira é ação do Governo do Estado do Amapá que traduz o compromisso do governador Camilo Capiberibe no setor do livro, da leitura e da literatura. A realização da FLAP faz parte dos trabalhos que vem sendo realizados pelo governo para o Plano Estadual do Livro e da Leitura.

O evento oferecerá intensa programação cultural desenvolvida para despertar o gosto pela leitura nos visitantes, entre crianças, jovens e adultos. A organização da Feira prevê o lançamento de 5 livros de autores locais, 4 mesas de debates, 1 exposição de arte visual, vale livro para escolas, 5 apresentações teatrais, 10 contações de histórias, 2 oficinas, além de 10 recitais e 5 palestras, prometendo assim ser o maior acontecimento cultural do Amapá em 2012.

Dentre os poetas e escritores brasileiros convidados estará o paulista Ulisses Tavares, com 52 anos de militância com a palavra escrita, falada, desenhada, encenada, cantada, televisionada e filmada. Com mais de 112 livros publicados em todos os gêneros e assuntos e mais de 20 milhões de exemplares vendidos, o poeta se apresentará no dia 06 de novembro, às 8h, na Biblioteca Pública Elcy Lacerda, com seu show UTI da Poesia, palestra interativa que aborda a poesia viva brasileira, mostrando seus bastidores e tudo aquilo que raramente chega ao conhecimento dos meios acadêmicos e escolares, tudo com muito bom humor e poesia!  

Ulisses também participará do Sarau Literário que ocorre no dia 05 de novembro, às 20h30, no mesmo local.

Informações para Imprensa:
Assessoria de Imprensa – Poeta Ulisses Tavares

Nathália Lippi
(11) 99401-9528
(11) 3865-3936
poetaulisses@terra.com.br
www.ulissestavares.com.br
www.twitter.com/ulissestavares

Oct 1

Marcha pelos Animais SP 29/9 – Escritor e ator Ulisses Tavares participou com interessante cartaz. Na web, mais de dois mil confirmaram presença na passeata. Apenas 60 gatos pingados compareceram. Mas é assim mesmo: grandes mudanças começam aos poucos e com poucos. – Foto: Roberto Aoike

 

Sep 3

Nesta noite de domingo ele dorme, como sempre, aqui no meio da sala.
Só que, desta vez, não irá acordar nunca mais.
Meu melhor amigo, o Ferinha Mel, morreu da maneira que viveu: como um anjinho.
Olhando seu corpo peludo, sua carinha de criança cheia de cabelinhos brancos, meu coração encolhido, angustiado, exausto pelas tentativas de hoje a tarde, no mercenário hospital veterinário, de espetar e entupir seu combalido ser de remédios e soros, penso que atendi seu último desejo, no último olhar que me dirigiu.
Em nossa comunicação visceral, entendi o que me disse:
Pai, me tira desse lugar, quero partir lá onde aprendi a ser feliz desde filhotinho. A nossa casa.
Ferinha Mel nunca teve uma casinha de cachorro, teve é uma casa inteira para o cachorro.
Tanto que agora há pouco a veterinária insistiu em leva-lo de volta ao hospital e eu, em nome dele, recusei.
Nem daria tempo: seu coraçãozinho parou de repente, cercado de pessoas que o conheciam e o amavam.
Vai ficar o profundo vazio de sua presença física, sei, claro.
Meu grudinho. Meu pançudinho. Meu encrenquinha. Meu melhor amigo. Meu filho. Meu amor.
Neste velório íntimo e dolorido, em que minha alma escorre em lágrimas, continuo sabendo o que ele quer.
Que eu me lembre que ele só veio parar em meus braços para me alegrar, repartir, consolar, se doar e agradecer as zilhões de pequenas coisas que compartilhamos.
Foi ele quem me estimulava a defender os animais, todos.
Foi ele quem me mostrou que não há dia ruim que não melhore diante de uma boa lambida.
Foi ele quem me ensinou a abanar mais o rabinho e rosnar menos.
No céu dos cachorrinhos, continuará a fazer isso.
E na terra fico eu com seu legado, sua herança abençoada, sua sabedoria de carpem diem.
Ferinha Mel apenas finge que morreu, o sapequinha.
O safadinho sabe muito bem que continua aqui, para o resto de minha vida.
Uma vida que, confesso, me parece no momento bem triste.
Mas não é o que ele me deseja.
Por isso prometo: quando ficar vendo o mundo cinzento demais, chamarei por ele e suas vívidas lembranças.
Não há adeus, portanto, apenas a humana dor da perda.
Ferinha Mel, tenho apenas tudo a agradecer. 

Ulisses Tavares tem agora vivo dentro do peito o Ferinha Mel a lhe consolar, ensinar. Como sempre foi e será.

Aug 16
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icon1 ulisses | icon2 Facebook, Sorteio | icon4 08 16th, 2012| icon31 Comment »

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Aug 8

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