Cidadania

Acreditem, crianças, em 1989 vocês ainda não podiam votar! Foi preciso todo o esforço de uma galera de jovens, liderada por Manuel Pinho (filha do ator Octávio Augusto) e Ana Kutner (filha dos atores Paulo José e Dina Sfat). Manifestações de rua, folhetos esclarecedores etc conseguiram finalmente a aprovação da lei. Sempre com total apoio e participação dos titios Ulisses Tavares (criador do slogan “Bota Pra Votar!) e Jair de Souza (o célebre design carioca, criador da marca do movimento).

Em novembro de 1996, Adriane Galisteu repete a antológica cruzada de pernas da atriz Sharon Stone no filme Instinto Selvagem. Por uma boa causa: incentivar o uso da camisinha. O comercial, criado por Ulisses Tavares e dirigido por Fábio Cabral, foi veiculado pelo Gapa-Grupo de Apoio à Prevenção da Aids. O governo ainda não havia entrado pra valer nesse problema de saúde pública, e o filme rendeu certa polêmica mas atingiu o objetivo.
Adriane abriu mão do cachê (como todos nós envolvidos na campanha) sem pensar duas vezes, afinal havia perdido um irmão infectado pela Aids cinco meses antes da filmagem.

Festa para a comunidade católica: o Papa João Paulo II, popularíssimo, foi o primeiro papa a visitar o Brasil em 1980. A Spot, agencia atenta e consciente, mostrou o outro lado da moeda. Nessa época o Jornal da Tarde, onde o anúncio foi publicado, era conhecido por apoiar as causas de cidadania.

A década de 70 foi bem complicada até para a propaganda bem intencionada. A Ditadura Militar ficava de olho para varrer toda informação importante para longe dos olhos do público. Foi aí que aconteceu o primeiro grande surto de meningite, matando muito gente e pegando o sistema de saúde despreparado e lerdo (como atualmente no combate à dengue, por exemplo). Era para ser uma campanha do Conselho Nacional de Propaganda, encomendada para a Almap. Só saiu um tímido anúncio criado pelo Ulisses e não se falou mais no assunto.

Outra campanha criada por Ulisses na Almap em plena Ditadura Militar. Reduziu-se a dois anúncios pouco veiculados. A Igreja peitava os militares como podia mas bem pouco se podia fazer nos anos de chumbo.

Coisas de uma época atormentada e de informações escondidas, reprimidas ou desvirtuadas. Meados da década de 70, uma série de incêndios graves, por curto circuito, ocorre em prédios altos como o da Almap na Avenida Paulista. Com o fiofó na mão, Ulisses cria este anúncio-protesto, o Alex aprova, a equipe torce para que saia mas…nunca saiu. Forças (não elétricas) ocultas devem ter bloqueado, vai saber.

Ulisses usa seus recursos de publicitário e poeta pela briga ecológica não é de hoje. É de ontem para hoje, rs.

Meninos e meninas, vocês já viram o que a água quente descartada de usinas nucleares faz com os peixinhos do mar? É um genocídio ou peixídio?

As crianças entenderam melhor que seus pais esta iniciativa do Ulisses, como sempre foi e será.

Com Dina Sfat, Joana Fonn, Regina Duarte e tantos outros, Ulisses exige justiça no naufrágio do Bateau Mouche! Até hoje mal resolvido. Eita, País injusto!

Quem mais se importa com isso, já que o crescimento econômico é que importa?

Os pingüins que se ferrem! E o ser humano também! Ontem como  hoje, quando vêem Ulisses rezando pela Paz na calçada em frente ao Consulado da China, o comentário é o mesmo: “esse é um babaca!” Enquanto isso, a China acaba com o Tibet…e os pingüins, bem, quem se importa com eles? Só um babaca mesmo…

Acho que foi 1973, estréia da Young & Rubicam no Brasil. Vamos checar melhor. Talvez o Ala Carte tenha ilustrado.