Campanhas Eleitorais

Naquele frenético 1989, Ulisses não entendia direito porque lançar Fernando Gabeira, para disputar a presidência, como alternativa fraca à dois candidatos fortíssimo: Lula e Collor. Mesmo assim, com Jair de Souza, como sempre, hasteou a bandeira do PV. Campanha sem grana e meros 15 segundos na televisão. Votos (20% do total), como previsto, à campanha trouxe poucos. Mas o espaço na mídia foi imenso! E os eleitores, gente como o cantor Supla, declaravam que a campanha do Gabeira (com bichos em animação e ritmos tribais estranhos) era a única a refrescar o horário eleitoral. Quixotesca, mas marcante.

“Lulalá”, o brilhante conceito explorado pela não menos brilhante Paulo de Tarso, empolgou a esquerda e mobilizou todos eleitores que não queriam a farsa de Fernando Collor. Envolvido com a campanha de Gabeira, mesmos assim Ulisses deu seus pitacos. Com jornalistas do Rio de Janeiro, criou jornais e materiais alternativos para reforçar a candidatura Lula. P.S.: Ibrahim Swado foi alterego de Ulisses parodiando famoso colunista social. P.S.2: Gabeira seria vice de Lula, mas foi rejeitado pela ala conservadora do PT. Daí seu vôo solo.

Ulisses tem especial orgulho de ter participado da primeira eleição de Luiza Erundina. Mais ainda por ter feito um trabalho militante e anônimo (imprimia “santinhos” em xerox, recortava e saia distribuindo pelas ruas, instando o eleitor a votar naquela ilustre desconhecida assistente social paraibana). Erundina foi eleita vereadora em 1983, em São Paulo, pelo PT.

Anúncio de governo é sempre visando eleições, admitam eles ou não. Ulisses cria mas não perde seu viés crítico. Pagam é meu trabalho, mas não compram minha consciência.

Foi no último round que entramos em ação! Segundo turno brabo. Ganhamos!

Uma campanha aguerrida. Jovem candidato André do PV, com dois tiosinhos experientes atrás, Ulisses e Jair de Souza.

No meio de campanhas políticas, por que não brincar um pouco fazendo sua própria propaganda política?

O ínclito Alfredo Sirkis não abre mão de seus princípios, mesmo correndo o risco de perder a eleição por causa disso.

Tudo a ver com o candidato, claro.

O que a gente não faz por amor a causa? Até ser ghost writer do livro assinado pelo candidato, rs. Com cujas propostas concordamos, literalmente.

O japa Cássio Taniguchi emplaca duas vezes! Mérito de Celso Loducca, Paulo de Tarso e Odir Greco, com o Ulisses como redator.

Erundina tinha grande chance de ganhar do factóide Celso Pita. Mas a ala radical xiita e dinossáurica do PT exigiu que a gente saísse da campanha. Deu no que deu. Erundina perdeu. Fomos todos então cuidar da campanha do Jaime Lerner que, claro, ganhou de novo.

A mamãe coruja e ícone da política alternativa carioca, Dalva Lazaroni, dá uma força para o filhote, que vai muito bem, obrigado. Um dos poucos políticos pelos quais Ulisses põe a mão no fogo.

Hoje, muitos nos copiam, nada de mal nisso. Mas só para registro fica que mini-folhetinhos explicando abc da política para o eleitorado, foram primeiro criados por Ulisses e Jair de Souza. Aliás, bem antes disso, ainda na década de 70, Ulisses criou os micro-livros de poesia para seus livros, atualmente carne de vaca de tantas editoras, algumas achando e anunciando que descobriram a pólvora, rs.

Quase que Dalva Lazaroni foi eleita vereadora. Bem que merecia… Mas o partido era fraco no Rio de Janeiro e a soma de votos não lhe favoreceu. Criação de Ulisses e Jair de Souza, em 2008.

Quem disse que publicidade e integridade não funcionam? Ulisses e Jair de Souza mostraram que é um possível um candidato vencer sem ser populista. Taí o Alfredo Sirkys que não nos deixa mentir e ganhou.  E de lavada!

Muito bem intencionado, mas vocês acham que o Governo levou à sério? Quáquáquá. Nem ontem, nem hoje, nem amanhã. Varreram esta discussão para baixo do tapete, como sempre.

Campanha criada pelo Estúdio Ala Carte, encomendada pelo Carlito Maia e ilustrada pelo Chien. A campanha é oficialóide que dói, mas serve para lembrar do grande Carlito, sim o mesmo fundador do PT, lançador da marca Calhambeque da Jovem Guarda, e uma das pessoas mais queridas da propaganda brasileira.

Os petistas gaúchos são mais, digamos, firmes na ideologia inicial do PT. Gosto disso.

Não é nada não, mas uma década atrás botar internet e e-mail ao alcance do povo chamava bem a atenção. Coerente com o alternativo PV, o laptop ficava pendurado no peito dos cabos eleitorais que andavam pelo RJ.

Até por prestar serviços de criação às agências, o A La Carte nunca se empenhou em sua própria divulgação (nem precisava, com o altíssimo nível de seus profissionais). Esta matéria foi exceção, apenas para marcar a abertura do estúdio.

Matéria Folha de S.Paulo (18/12/12): Naufrágio da Justiça no caso “Bateau Mouche”