Década 90

Casas Bahia anunciam
escritores em liquidação.
(São Paulo, várias bibliotecas – 1995)


Na programação do Projeto Escritor nas Bibliotecas, da Secretaria de Municipal de São Paulo, a inusitada faixa da Casas Bahia anunciando Ulisses Tavares e Zuenir Ventura.
Observem que, ao contrário dos móveis e eletrodomésticos, os escritores tem, embaixo dos nomes, a palavra “Gratuito!” (avisando que eles não podem ser comprados pelo crediário?)
Por um momento, Ulisses Tavares imaginou ser um dos produtos mais vendidos da popular rede de lojas, rs. Na realidade, iria para o saldão de mercadoria encalhada.

 

O dia em que o poeta viu o fantasma de Mário de Andrade!
(Cemitério da Consolação – São Paulo – março de 1993)

Ao terminar de declamar em cima do túmulo de Mário de Andrade, Ulisses Tavares sentiu uma mão pegando seu pé e uma voz masculina gritando: “Gostei, gostei, gostei!” Ao olhar para baixo, o poeta ficou gelado: era Mário de Andrade, de chapéu, óculos e tudo.
O homem sumiu entre a multidão e Ulisses se acalmou lembrando que podia ser efeito da maconha ou do álcool. Mas só perdeu o medo de declamar em cemitério bem recentemente, fazendo tertúlias noturnas com a tribo dos góticos paulistanos.

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E para ler a carta de Ulisses para Mário de Andrade, clique aqui

 

 

Concorrer com a cultura da bunda é soda!
O Ulisses e o Gadelha tentaram e levaram no rabo, rs.
(O Tesão da Poesia – 1996)


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Em mais um de seus delírios de levar a poesia ao povo, Ulisses Tavares se juntou (no bom sentido, que somos espadas, pô!) ao também maluco poeta Raimundo Gadelha para montar um stand apenas com livros de poesia na famosa Feira Erótica de São Paulo, ou Expoerótica, em 1996.
Mesmo recebendo todo apoio das dazpu, digo, garotas galantes e eróticas presentes, conseguimos vender apenas uns 10 livros.
E quem comprou os livros de poesia dos eróticos Ulisses e Gadelha? Foram as meninas que fazem filminhos pornô! Seriam elas mais sensíveis que o público presente? Claro que sim.
Afinal, Ulisses e o Gadelha foram é mais que xingados por colocarem poesia numa feira erótica.
“Isso é que é de fato sacanagem!”, nos disseram. E foi mesmo, rs.

Como pode uma poesia concorrer com tanta sacanagem? Never.

Os incrívelmente feios Ulisses e Gadelha fazendo pose de galãs no stand de poesia. Adivinhem onde as pessoas entravam? No stand da frente que tinha uma mulher oferecendo sexo oral de grátis! E nós ficávamos onde sempre estivemos: na falta de ibope da poesia.

A Mary tentou dar uma força mas não tirou a roupa e perdeu pra mulherada pelada.

A lindinha cantora Sol, do stand ao lado, também tentou ajudar os poetas. O Ulisses, safado como sempre foi, agradeceu de coração. Concordando com o Drummond que disse:  “…quando eu nasci um anjo torto disse: Vai ser gauche na vida”, o Ulisses também se contenta com pouco.

 

Gang-3
Junho / 1981 – RJ e Brasil todo

Ulisses Tavares continua provocando à esquerda e à direita com sua série O Tarado do Marx.

 

O Escritor Nas Bibliotecas
(1993-1994-São Paulo)
Depoimento

 

Mais O Escritor Nas Bibliotecas
(1995-1996-São Paulo)
Poema para o evento


Projeto Cazuza
(1992 / SP e RJ – Sesc)
Depoimento


Sempre guardei tudo que se relacionasse a fatos da vida de meu filho, Cazuza. Talvez por traço de personalidade ou, quem sabe, segundo um instinto premonitório do que nos aconteceria mais tarde, colecionei todos estes objetos durante tantos anos. Ainda tenho, perfumada e engomada, a camisola que eu mesma bordei para seu batizado. Em nosso álbum de família estão registradas as festas de aniversário; formaturas escolares; férias; passeios e brincadeiras; os primeiros desenhos e rabiscos, tentativas infantis de escrever; os poemas adolescentes, que ainda não mostravam o grande poera que se revelaria mais tarde.
Foi com o coração batendo em ritmo acelerado de emoção que o assisti, numa noite em São Conrado, no primeiro show de um jovem conjunto desconhecido chamado “Barão Vermelho”. Depois deste não perdi nenhum outro, o coração sempre disparado. Creio que guardei quase tudo relacionado com a carreira de meu filho – letras; fotos; discos; cartazes; camisetas promocionais; discos de ouro; matérias de jornais; críticas; pensamentos que mais tarde se transformaram em letras; agendas repletas de recados musicais; vídeos clips; apresentações em programas de televisão. O violão que ele dedilhou tantas vezes e a máquina de escrever, com seu teclado gasto pelas poesias escritas, estão do mesmo jeito que ele deixou.
Entregar o material que recolhi através destes anos para a realização de uma mostra “Cazuza” que percorresse diversos centros culturais me deixa muito feliz. Não há sentido em guardar tudo isto apenas para mim. O caminho que meu filho escolheu fez dele uma pessoa pública, amada por milhares de pessoas. Gosto da idéia de repartir com elas as lembranças que mostram a história de “Cazuza”.