Nov 8

Capa Negro ALTA

O Negro em Versos

O que difere radicalmente os poetas desta antologia daqueles Poemas Negros, de Jorge de Lima, Raul Bopp e Gilberto Freire é que eles procuram, com um certo ponto de vista, tomar para si a causa da diferença e a diversidade, aguçadas pelo sentimento de expressar as próprias metáforas.
O que  realmente significa ser um poeta negro?
Falando do negro como a si mesmo, perguntariam alguns perplexos portadores da mesma inconsciência nacional. Essa espécie de Negromania sem a conotação prosaica do termo é uma espécie de ser negro, de falar de seus desejos, das suas dores, de seus deuses e mitos, essa forma de transcender as pedras dos caminhos, um coração ancestral que bate forte em cada homem negro estigmatizado pelo preconceito e pela indiferença.
Essa antologia pode parecer uma apologia ao apartaide cultural? Não, senhores, esses poemas e versos, em verdade, procuram o mesmo sentimento de beleza, e também e mais profundamente a razão política e consciente de gritar bem alto os nossos desejos, a nossa auto-estima, o nosso desconhecimento. A nossa ausência.
Esta antologia celebra aqui e agora com esses nossos poetas a volta aos anos sessenta, quando o mundo viu diante de si o talento da poesia negra manifestada pelo movimento da “Negritude”, falando com as novas vozes de Leopold Senghor, Aimé Cesaire e Leon Damas.
Assim, esta antologia não deixa de ser um alento para este momento de descobertas e de introduzir no cotidiano as vozes negras da nossa poesia.

Emanoel Araujo
Diretor do Museu Afro Brasil

O Negro em Versos
Organização e apresentação de Luiz Carlos dos Santos, Maria Galas e Ulisses Tavares
Editora Salamandra

Jun 2

Palestra / recital com:
Luiz Carlos Santos | Maria da Bethânia Galas | Ulisses Tavares

“Como falar da Literatura Brasileira sem falar da presença negra? Uma pergunta que não é uma questão. É a chave misteriosa que legitima a pusilânime democracia racial do país. Durante muito tempo o negro foi e ainda é tema que inspira os trabalhadores das letras no Brasil, no entanto, a sua presença como sujeito sempre se deu e ainda se dá de forma tímida, quase invisível. Majoritariamente, em terceira pessoa.
Todos parecem autorizados a falar sobre a dor, o sofrimento e a alegria negra, menos os próprios negros. A história e a vida da maioria da população brasileira, durante muito tempo, foi tema dos nossos literatos mazombos,”todos brancos ou quase todos negros” como cantam Gil e Caetano no RAP Haiti.
A farta presença negra na construção da brasilidade parece ameaçar a todos: “os quase todos brancos e aos quase pretos”, desde a chegada do primeiro negreiro em terras brasileiras, carregado de pessoas e histórias de vida e de luta.A nossa literatura, vez por outra, se desculpa e vitriniza  filhos da raça como  Caldas Barbosa, Silva Alvarenga, Gonçalves Dias, Castro Alves, Cruz e Souza, Luiz Gama e torna incolor Machado de Assis para, só assim, reconhecer a sua genialidade literária, contraposta a anárquica e também crítica literaridade de LimaBarreto e a contundente presença de Luiz Gama.
Tornar  evidente esses nomes para as jovens gerações de brasileiros é um desafio épico. Mostrar no tempo e no espaço a produção cultural e a contribuição definitiva da matriz africana na construção do Brasil é tropeçar o tempo todo em nossos racismos cordiais e caricatos; bem humorado e, naturalmente, perversos.
Quatro séculos depois é possível descortinar a janela do nosso horizonte literário e reconhecer as imagens e as letras desenhadas para configurar o que é ser negro no Brasil? Eis aqui uma pergunta que Lino Guedes, Oswaldo de Camargo -que completa,  este ano 50 anos de carreira- Cuti, Djavan, Milton Nascimento, Gilberto Gil, Itamar Assumpção, Martinho da Vila, Cartola, Geraldo Pereira, na poesia, entre outros, podem  responder.
Na prosa, de verdade ou de mentira, Milton Santos, Edmilson, Ruth Guimarães, Elisa Lucinda, Conceição Evaristo, Márcio Barbosa, Marcelino Freire, Ana Maria Gonçalves, Flávio Gomes, Henrique Cunha Jr, Joel Santos, Abdias Nascimento e muitos outros não deixam dúvidas que a literatura brasileira, sendo mazomba, não tem só uma cor, não vem só de um lugar e não foi e é escrita apenas por alguns. É produto de luta, afirmação, resistência e superação. A literatura brasileira, por ter história, estilo e memória, também tem cor. Na dúvida, a leitura e a palestra de
O Negro em Versos, uma antologia da poesia negra brasileira pode ajudar ou, no mínimo, confundir.” (Luiz Carlos dos Santos)

 

Maria Da Bethânia Galas é cenógrafa, arte educadora e especialista em museologia. Em São Paulo, cidade onde reside e trabalha, tem desenvolvido trabalhos de consultoria em Arte/Educação para museus, escolas e espaços culturais. Atualmente Maria Da Betania Galas leciona Artes Visuais e coordena a área de Artes e de Projetos para o Ensino Fundamental II da Escola Viva.

Luiz Carlos dos Santos nasceu no Rio de Janeiro, no dia 23 de setembro de 1952. É professor de Língua Portuguesa e Literatura, Jornalista e Sociólogo pela USP. Consultor de História Oral do Museu Afro Brasil, em São Paulo, Consultor da Secretaria de Cultura de São Paulo para o Projeto Racismo: Se você não fala quem falar?(120 anos da abolição),milita no movimento negro desde os ano 1970(SINBA -Sociedade de Intercâmbio Brasil-África – RJ), Coordenou o  NCN-USP, Colabora em cursos de formação de professores no NEAB(UFU), Africanidades do MEC e outros estados como São Paulo e Espírito Santo. Foi o Curador da Exposição: Theodoro Sampaio. Um Sábio Negro entre os Brancos, apresentada pelo Museu Afro Brasil, 2007/2008.

Ulisses Tavares é polígrafo, com mais de 118 livros publicados, em todos os gêneros, para crianças, jovens e adultos. Apenas em poesia, já vendeu mais de 10 milhões de exemplares. Como historiador heterodoxo, tem “Quando nem Freud explica, tente a poesia”, “O Negro em versos” e o recente “Hic!stórias – Os maiores porres da humanidade”. É também dramaturgo, jornalista, marketeiro político, compositor e roteirista.

Duração: 2 horas
Sem limite mínimo ou triagem de participantes.
Investimento: R$ 3.000,00 (três mil reais)

Para contratar:
Nathália Lippi - Assistente Editorial | (11) 3865-3936
poetaulisses@terra.com.br

Jan 20
O Negro em Versos
icon1 admin | icon2 Poesia | icon4 01 20th, 2009| icon32 Comments »

“Obama lá, a poesia negra brasileira aqui!”

O que difere radicalmente os poetas desta antologia daqueles Poemas Negros, de Jorge de Lima, Raul Bopp ou Gilberto Freire é que eles procuram, com um certo ponto de vista, tomar para si a causa da diferença e a diversidade, aguçadas pelo sentimento de expressar as próprias metáforas.
O que realmente significa ser um poeta negro?
Falando do negro como a si mesmo, perguntariam alguns perplexos portadores da mesma inconsciência nacional. Essa espé­cie de Negromania sem a conotação prosaica do termo é uma espécie de ser negro, de falar de seus desejos, das suas dores, de seus deuses e mitos, essa forma de transcender as pedras dos caminhos, um coração ancestral que bate forte em cada homem negro estigmatizado pelo preconceito e pela indiferença.
Esta antologia pode parecer uma apologia ao apartaide cultu­ral? Não, senhores, esses poemas e versos, em verdade, procu­ram o mesmo sentimento de beleza, e também e mais profunda­mente a razão política e consciente de gritar bem alto os nossos desejos, a nossa auto-estima, o nosso desconhecimento. A nossa ausência.
Esta antologia celebra aqui e agora com esses nossos poetas a volta aos anos sessenta, quando o mundo viu diante de si o talento da poesia negra manifestada pelo movimento da “Negritu­de”, falando com as novas vozes de Leopold Senghor, Aimé Cesaire e Leon Damas.
Assim, esta antologia não deixa de ser um alento para este momento de descobertas e de introduzir no cotidiano as vozes negras da nossa poesia.

Emanoel Araújo
Diretor do Museu Afro Brasil

 

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